quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Bar com a família

Bar e família definitivamente não combinam, mas como na vida sempre acontece algumas coisas que não podemos evitar, lá estava eu no bar com familiares. Era aniversário do meu Tio e minha tia depois de beber umas doses de gim tônica começou o show que não pode faltar em ocasiões como essa.

- Vocês viram o que deu na tv hoje?
- O que? ( meu tio).
- Umas “sapatonas” que foram expulsas de um restaurante porque estavam “ atracadas”. Agora querem na justiça uma indenização do dono do restaurante. Agora você vê... Onde é que vamos parar?
- Mas ele não pode fazer isso, danos morais, é um constrangimento pra elas. ( meu tio).

Eu ria enquanto acompanhava a discussão, bebendo minha vodka de sempre, ascendi um cigarro enquanto pensava sobre o assunto. Sempre fui contra casais de qualquer orientação sexual agirem como se estivessem no motel, quando estão em restaurantes, bares e outros lugares, mas eu sabia que a discussão ia muito além disso, era pessoal. Ela continuou:

- Constrangimento pra mim que não quero ver esse tipo de coisa!

Virei o copo de vodka e disse:

- Então bate na porta antes de entrar no quarto!





quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pequenas conversas com Nina ( mulher casada)

Suzana me ligou mais cedo, pedindo que eu fosse encontra-la na Voluntários. Chegando lá, notei que ela estava aflita. Enquanto ela acabava o cigarro, tentava me explicar o que estava acontecendo.

- Eu tô louca pela mulher do meu tio e tá rolando uma tensão sexual entre a gente faz tempo. Não sei o que fazer.
- Ah Suzana, como assim não sabe o que fazer?
- É mulher do me tio, cara.
- E desde quando você tem valores? Ah por favor ...
- Sei lá.
- Bom, vamos nos organizar. Ela é gostosa?
- Demais.
- Você ama seu tio o suficiente pra deixar passar uma noite de sexo subversivo?
- Definitivamente, não!
- Então acabaram-se as dúvidas, vá lá e coma a sua tia! ( risos)
- Faz piada mesmo! Ele vai viajar esse final de semana e pediu a mim que não a deixasse sozinha.
- Jura? Que trouxa! E você não disse que vai cuidar dela como se fosse sua? Que não vai fazer nada que ele não faria? Não?
- Engraçadinha você! Ela já falou que quer jantar comigo.
- Tradução: Ela quer te dá. Mas tem uma coisa, mulher casada dá um problema quando resolve bater o remorso. Não entendo isso, porque depois que deu minha filha, já era. Mas enfim Cuidado com o famoso problema da culpa.
- Qual?
- Depois que elas traem, acham que isso se iguala quase a uma ação humanitária de Madre Tereza e se tornam verdadeiras psicóticas, se tratando de uma lésbica em inicio de carreira pode triplicar isso ai. Falo por experiencia própria.
- E o que você fez?
- Menti, óbvio. Conta uma história triste que você saiba que a comoverá a ponto de entender suas limitações. No meu caso ela era religiosa, então eu disse que aquele pecado estava me consumindo, eu precisava de um tempo e chorei, claro.
- Você não se sente culpada mesmo, né?!
- Sazaninha, existe um dom chamado: Não sentir culpa. Pratique-o e você chega lá.

domingo, 25 de setembro de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Futuro )

Fui beber com uma amiga da faculdade e entramos em uma complexa discussão sobre futuro.

- Te acho tão porra louca Nina ...
- Ah, cuidado com as palavras Tati.
- Você não segue uma rotina, uma organização de vida. Você é inconstante demais.
- Eu não sou é senso comum, meu bem.  Tenho verdadeiro horror ao cotidiano.
- O que vê pro seu futuro?
- Não gosto de pensar nele...
- Digo em relação a uma rotina, não tem vontade de ter uma casa com uma mulher te esperando, um lugar pra onde voltar?
- Meu Deus! Você é um patriarca americano. Ah! Eu gostava tanto de você ...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Amigo )

Em mais um dia de bebedeiras na Lapa, sentada no bar eu vi que ia passando um “amigo”, aquele que se sumisse não faria a menor diferença, o problema é que esses nunca somem.

- Lá vem ele Bia. ( Nina).
- Acho que ele não te viu.
- É?
- Ah! Não... Ele tá acenando e vindo pra cá!
- Ótimo! Meu dia de sorte.

Virei meu copo de vodka. Ascendi meu cigarro e ele chegou.

- Nina! Que saudade!
- Você jura?
- Claro.

Ele nunca acompanha minhas ironias, deve ser por isso que gosta de mim. Ele continuou:

- Tá fumando ainda?
- Quando foi que eu disse que ia parar?
- Isso faz mal ... Ainda vai te matar.
- Meu bem, cada um morre como quer. Você por exemplo provavelmente vá morrer de tédio né?!
- Não entendi.
- Deixa pra lá.
- Sabe o que eu acho às vezes? Que Você não gosta mais de mim.
- Ah Você acha? O que tá faltando pra ter certeza?
- Por que isso Nina?
- Olha, Marcos eu poderia ficar aqui te dando "N" motivos, mas sejamos objetivos e práticos: Você é chato!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Pequenas conversas com Nina ( DR )

Em plena quarta-feira uma menina com quem estava saindo me chamou pra beber, por ser quarta ela até ganhou o meu respeito, mas perdeu totalmente ele quando chegou e começou a falar.

- Tava com saudade Nina.
- Legal.
- Você não tava? Por que você nunca fala? Só eu falo as coisas ...
- Pois é e tanto que não me sobra tempo e espaço.
- Você tem que parar com isso, esse seu trauma, os medos ...Vai perder todas as pessoas legais, as chances de ser feliz.
- Mas que mania de acharem que eu não sou feliz! Olha só agora... Tenho uma bela mulher comigo, é verdade. Eu pareço feliz? Não! Porque você não para de falar e eu estou em uma pseudo “DR” com alguém que nem minha namorada é, imagina se fosse...
- Grossa!
- Eu te avisei, sempre fui honesta.
- Tem que ter paciência com você, eu esqueço disso. Mas eu acredito em você, que você um dia vá esquecer tudo isso, com o tempo...

Eu já revirando os olhos respondi.

- Mas que chatice! Eu só queria beber uma cerveja... Cara, qual o problema das mulheres? Elas às vezes são tão dementes. Você explica por horas que você não quer nada além de sexo e parece que tem um tradutor bêbado na cabeça dela dizendo: “Nossa, tadinha! Ela tem um trauma... Ela é tão linda! Você pode compreender isso, talvez você até mude a vida dela.” Não! Quando eu digo que só quero transar é porque eu só quero transar. Simples assim!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Apaixonados)

Quando todos os seus amigos e amigas estão tomados pelo amor você pensa: é hora de tomar providências! Sentamos no bar, nesse dia na Voluntários e comecei a reparar numa espécie de histeria coletiva a minha volta.

- Mas por que tanta irritação Nina? Você tá intragável hoje! ( Heitor).
- Por que? Você ainda pergunta? Porque vocês estão todos retardados!
- Apaixonados Nina, apaixonados.
- Dá no mesmo.
- Você tá precisando de uma mulher...
- Eu tenho algumas e que até me são de fato úteis. Minha mãe, minha vó, a Nice empregada lá de casa... Faz um feijão que você não tem ideia!
- Quer parar de deboche?! Tô falando sério... Não pode ficar sozinha pra sempre. Tá precisando de uma namorada.
- E por que eu precisaria de uma? Minha mãe me entende, minha vó me dá carinho, a Nice tem aquele feijão maravilhoso e tenho amigas lindas que me proporcionam maravilhosos momentos de sexo casual. ( Ele me olhava como quem não acreditava no que estava ouvindo, ascendi um cigarro e continuei...) - Vou te dizer...Tem três coisas básicas que uma namorada geralmente faz com você: Deixa os teus bolsos vazios, a carteira mais leve e por fim sua conta bancária zerada, tudo com muito amor, é claro. Amor esse que dura o tempo suficiente para que ela consiga realizar suas tarefas. Por fim, tem algumas que te tiram também a dignidade... Mas isso se você for otário master. O que quero dizer é: Me deseje sexo casual, mas uma namorada é amaldiçoar a vida de alguém que ainda te quer bem. Francamente, poxa!

domingo, 28 de agosto de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Dia dos pais)

Era dia dos pais, pra mim um dia como outro qualquer e sendo assim fui beber, claro. Liguei para a Bia, a única que me faria companhia já que o pai dela já havia falecido a algum tempo.

- Não vai mesmo ver o seu pai? (Bia)
- Não!
- Acha certo? Você tá fazendo o mesmo que ele fez todos esses anos, não vale a pena Nina. Além disso quando o meu pai morreu...
- Ah! Olha só...Não me vem com conselho auto-ajuda que não estou pra isso! Me poupe Bia, até parece que não me conhece.
- Tudo bem. Mas ele não ligou?
- Sim. Perguntando se eu ia vê-lo no dia dos pais.
- E você?
- Achei graça e perguntei por que eu faria isso.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pequenas conversas com Nina (Segunda - feira)

Naquela segunda-feira eu esperava por Suzana na Casa da Cachaça, que como de costume estava atrasada. Aproveitei e já fui adiantando logo o pedido:

- Aquela vodka de sempre, por favor! Sem gelo hoje!

Suzana chegou junto com Vodka.

- Já vi que algo aconteceu, pediu sem gelo. Cadê a Bia? Não vinha também?

( virei a primeira dose)

- Ela não vem!


- Por que?


- Ah, você sabe! Aquela babaquice de “ mas hoje é segunda-feira, gente.” E dai? Não entendo essa gente que só bebe final de semana. O que há de errado com os outros dias? Coisa mais careta isso... Eu não deixou pra depois o que posso fazer hoje, nunca se sabe se chegaremos até sexta, por isso bebo até ela chegar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Cigana )

Estávamos bebendo na Voluntários da Pátria quando uma “cigana” pegou uma de minhas mãos e perguntou:

- Posso ler sua mão?

- Olha, eu te indico leituras mais interessantes.

- Eu trago o amor de volta em três dias.

- É? Eu tô querendo mais é que me levem ele em três dias, a senhora faz também? Se fizer, me diz uma coisa: Aceita cartão?

sábado, 2 de julho de 2011

Pequenas conversas com Nina (Relacionamento)

Bia, pela primeira vez depois que terminou com Clarissa resolveu me ligar pra beber. Ela dizia que precisava falar e fui preparada para aquele habitual drama lésbico de costume, mas era muito pior que isso.

- Conheci alguém.

- Eu deveria ficar feliz?

- Você é minha melhor amiga.

- Exato! Uma melhor amiga realista e sincera, coisa difícil hoje em dia.

- Nem todo mundo é igual, sabia Nina?

- Oh Deus... ( suspirando).

- O que?

- É muito pior do que eu imaginava! Não bastava a cara patética de felicidade, agora o discurso também. Coisa insuportável essa esperança sem sentido de que tudo vai ser diferente, isso me da náuseas!

- Ela é especial, quando conhecê-la ....

- Ah por favor! Não subestime minha inteligência. Especial? Três meses e posso te ouvir dizer que ela é tão insuportável quanto aquela ex que você não suporta, mas ainda sim mesmo infeliz você vai insistir nisso tudo com a ideia psicótica de que ela é o amor da sua vida até que ela se canse e te de o pé mais escroto que você já tomou porque sim, o ultimo é sempre o pior. Então você vai achar que não a conhece já que nada do que ela está fazendo e falando faz sentido pra você, além de ser super escroto, claro. Você vai dizer então que ela nunca foi assim e por motivos óbvios ela realmente não era já que ela não passava de uma projeção que você fez depois dela ter dito no primeiro encontro que também gosta de Puccini. Ela e mais algumas milhões de pessoas com bom gosto, ou seja... você dizia que ela era o que mesmo? Ah especial, claro.


- Você é cruel!

- Não! Eu sou realista!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Tipos)

Certa vez em mais uma bebedeira de bar conversávamos sobre “tipos” e me perguntaram:

- E você Nina? Que tipo de mulher você gosta?
- Ah não me venham com o tal do “tipo”, acho isso uma babaquice e tão limitado...
- Ora, vamos Nina! Todos temos nossos critérios, a Cláudia por exemplo diz que precisa ter compatibilidade intelectual.
- Ah é? E desde quando se precisa de Sócrates pra transar por exemplo? Ah por favor né Heitor. Ok, pode até ser que a “imoralidade” de Nelson Rodrigues me excite um pouco, mas a verdade é que num todo pra mim tendo buceta já é o ínicio do caminho certo para os meus “critérios”.
- Eu tô falando sério Nina!
- Eu também! ( Peguei a garrafa de vodka completei o meu copo que estava vazio e continuei quebrando o silêncio que deixei na mesa). Ok, vocês querem gêneros, não é? Vejamos que tipo de mulher me atrai, hum...Ah já sei! Eu gosto é das loucas, das desequilibradas, das psicóticas... As problemáticas são tão mais interessantes porque você nunca sabe, mas talvez com ela possa ser sua última transa.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( bichinhos de pelúcia)

Bebendo o pós dia dos namorados, o pessoal resolveu comentar o que haviam ganho de seus respectivos pares. Eu sei, parece chato né?! Também acho, na verdade é uó, mas a ironia e o alcoól me ensinaram que de alguma forma até mesmo conversas como essas podem ser divertidas.

- Mas e você Heitor o que ganhou? ( Eu perguntei).
- Um perfume.
- E deu o que? Cuidado com a resposta! (Debochei).
- Ah ... Também né?! E além disso uma calça.
- Hum, presentes úteis pelo menos, mas homens são bem mais práticos.
- Eu prefiro dar presente pra mulher.
- Se não for namorada né?!
- Por que?
- Ah porque mulher tem aquela coisa de ter que ser romântica e todo aquele blá blá blá. É Sério, pode ver que uma coisa que elas adoram é ganhar bichinho de pelúcia, porque é “fofo” ( cara de deboche). Nunca suportei esses bichos, eles não prestam pra nada, só pra ocupar espaço. ( parei, dei um gole na minha bebida e peguei um cigarro. Enquanto acendia continuei, debochada). Me lembrei aqui, ( dei um trago) quando eu tinha dezesseis anos tive um lance com uma menina que só me dava bichos de pelúcia, eu rezava pra não ter nenhuma suposta ocasião especial, porque eu sabia que seria mais um daqueles bichos bregas e cafonas que só ocupavam o espaço do meu quarto fazendo ele parecer um mini Zoo. Enfim, foi duro e um processo lento me livrar deles depois.
- E como se livrou deles?
- Bancando a lésbica fofolete pra transar, é óbvio!. Eu dava um bichinho e elas me davam... Bem você sabe o que elas davam. Enfim eu ganhava o que eu queria da garota e de quebra me livrava do mini Zoo cafona que ela transformou o meu quarto. Achei uma boa solução, prática e lucrativa.
- Credo Nina! Que sem coração você. Não sente pena não?
- Sabe que eu até sentia por uns instantes quando eu pensava: Coitadinhas, onde é que será que elas vão por isso agora?

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Ex )

Era uma quarta-feira noite, fui encontrar com a Bia no bar pra ver o jogo do Flamengo. Chegando lá logo acendi um cigarro, cumprimentei a Bia e o pessoal que veio com ela, as meninas do futebol. Sentei e pedi uma vodka sem gelo, Bia logo me olhou e questionou:

-  O que aconteceu?
-  Nada...
-  Nada não! Pediu vodka sem gelo.
-  Ok, minha ex me ligou.
-  E o que ela queria?
-  Reclamar que chamei ela de vaca um dia desses.
-  E você?
-  Ué disse o que tinha que dizer. Existem pessoas que retiram o que dizem, já eu reforço ... Vaca!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Grande amor )

Bebendo outro dia na Voluntários em Botafogo, estávamos numa complexa conversa sobre o grande amor de uma vida. Uma discussão inútil, porém muito divertida.

Suzana me surpreendeu afirmando que acredita nessa besteira toda de amor além da vida e blá blá blá.

Eu, debochei é claro, ironizei afirmando que não imagino ela acreditando numa coisa dessas.

- E por que não? ( Suzana me perguntou ).

- Porque é patético e eu não sabia que você podia ser patética, logo você Suzaninha, que decepção!! ( Ainda debochando).

- Você diz isso, mas já foi até casada que eu sei. Isso sim é Patético!!

- Tanto é que não sou mais.

- Ah isso é gênero! Admita que ela foi o amor da sua vida Nina!

- Suzana, meu bem. Sou uma mulher inteligente, moderna e independente. Supondo que toda essa besteira de grande amor existisse, não acha que eu seria suficientemente capaz de escolher alguém que de preferência não seja imbecil?

Pequenas conversas com Nina ( Lésbicas )

Estava eu em uma social oferecida por uma grande amiga, mais um pretexto para reunir as lésbicas quando algo me chamou atenção. Escutei pequenos sussurros vindos da sacada onde estava próxima. Parecia-me uma pseudo discussão entre um casal de amigas minhas:

- Fala bebê, o que aconteceu? Você não estava assim antes.

- Assim como, amor?

- Você tava toda animada conversando lá dentro. Você bebeu com alguém antes de vir pra cá? Me diz bebê.

Eu não sabia se ria, chorava, ou vomitava. Primeiro de tudo, antes de qualquer comentário em relação a questão central que é o quão mulheres e ainda mais sendo lésbicas podem ser insuportavelmente reparadoras, quase cães farejadores, eu necessito de um aparte, um pequeno comentário sobre o termo “bebê” porque quem começou com essa coisa com certeza não conhecia os termos “broxante” e “cafona”, mas acontece. Quem nunca teve um “bebe” na vida que atire a primeira pedra. Anyway, o fato é que não pude me conter e me meti na conversa.

Peguei um cigarro e me coloquei ao lado delas a fumar:

- Desculpe gente, eu não pude deixar de ouvir a discussão... Aline, você não está falando sério, não é querida?

- É claro que estou Nina!

- E por que isso gente? Que diferença faz o nível alcoólico que Clarissa chegou aqui?

- Não é isso... Só quero saber o que houve, ela tá diferente de hoje mais cedo, tá tão animada, tão...

- Feliz?

- É também. Não que ela não seja, mas não estava hoje pela manhã, entende? O que haveria de ter acontecida pra uma mudança tão repentina e então pouco tempo? É só o que quero saber.

- Ai, desculpa me meter, mas é incrível como as mulheres conseguem ser insuportáveis neste quesito. Lembro-me quando ainda saia com homens, ainda acho que perdia meu tempo, mas uma coisa eu tenho que admitir como às vezes pode ser maravilhosa a falta de capacidade de observação masculina. Você acorda de bom humor e eles nem notam, de repente fica de mau humor e eles não conseguem nem perceber que você não os suporta mais. Eles só conseguem perceber algo quando você não transa com eles, mas veja bem, eu disse quando não transamos com eles, porque eles também têm dificuldade até mesmo de perceber que só ele quer transar. Enfim, é tão mais prático, tão menos sufocante. Já a mulher percebe tanto e tudo que ela até nota alguma coisa quando ela nem aconteceu. Ai! Às vezes é insuportável ser lésbica.

domingo, 12 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( caráter )

Certa vez em uma festa me perguntaram:

- Nina, você tem caráter?

Fiquei pensando... “ Mas o que é isso mesmo? Ah! sim caráter.”

- Ai! não sei.

E me indagaram:

- Como não sabe?

- Francamente, Cláudia. Eu nem me lembrava mais disso.

- Disso o que? Do caráter?

- Do próprio! Acho tão utópica essa história de caráter, tipo coelhinho da páscoa, Papai noel ... Bonitinho, mas pouco prático e muito fantasioso.

- Não concorda que é preciso ter caráter para se vencer na vida?

- Nossa, mas que clichê. Pra se vencer na vida, meu bem, precisamos da falta de. Ou então uma bela vagina, talvez um anus disposto. Não sei ao certo. Mas caráter ...Quem é que tem isso hoje em dia? Quem é que já teve? Conversa mais chata essa, caretice. E não me olhem assim! Vocês adoram aderir pequenas modinhas e agora esse tal de caráter tá na moda que eu sei. Bem conveniente, eu acho. Mas pra quem tem dinheiro pra que esse tal de caráter? Me digam onde tem pra vender que eu compro.

Pequenas conversas com Nina ( 12 de junho/ investimentos)

Ainda no Bar depois de algumas garrafas de vodka e whiskys Ainda falávamos sobre o dia dos namorados, mas especificamente das namoradas.

- Qual o pior tipo de namorada pra você Nina? ( A Suzana perguntou totalmente embriagada).

- Olha, há tantos... Sendo namorada boa coisa não já pode ser. Mas sendo mais especifica, tem as mercenárias. Durante um bom tempo eram o pior tipo pra mim, até que aprendi a lidar com elas quando parei de gastar meu dinheiro com mulheres e passei a gastar com mais bebida.

- Mas não se tratar de gastar dinheiro com mulheres Nina, é um investimento. ( Retrucou a Bia, ainda sóbria, até porque pra fazer um comentário desses... Anyway! Continuando...).

Virei meu copo de whisky e respondi:


- Investimento? Não! É burrice! Quer investir Bia? Investe numa garrafa de Black Label . Tem retorno!

Todos rimos, mas Suzana não havia se contentado com a minha resposta.

- Você enrolou, enrolou e não me respondeu. Se já sabe lidar com as mercenárias, que tipo de namorada é o pior tipo pra você?

-Bom, Não querendo generalizar, mas não sendo hipócrita e já generalizando... Digamos que eu vou dar a minha resposta em forma de conselho de modo que preste bem atenção, se vão seguir ou não é problema de vocês! É bem simples, não namorem as mulheres do sul do País e ponto!

- Ah isso é dor de cotovelo por causa da ex dela. (Suzana debochando).

- Ela era gaucha? ( Bia perguntou a mim).

- Sim, mas não tem só haver com ela. E a conversa não é sobre piores tipos de namoradas? Falar de ex é lei! A última é sempre a pior.

- E por que outros motivos além de ser ex as gauchas seriam os piores tipos de namoradas? ( Bia).

-Porque elas são completamente estranhas e podem até conter em apenas um exemplar todos os piores tipos de namoradas do mundo, ou seja se você quer uma vida normal fique longe delas ou foda a sua cabeça pro resto da vida virando uma pseudo acoólatra, irônica e sádica que não acredita no amor.

sábado, 11 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina (12 de junho)

Chamei todos para beberem comigo, disse que era dia de comemorar. Como sempre fomos aquele habitual bar na Lapa, nosso reduto, reduto dos caras de pau ou pelo menos naquele dia me pareceu.

-O que estamos comemorando Nina?

Acendi meu cigarro, dei um trago, repousei no encosto da cadeira, cruzando as pernas de maneira afetada e irônica, e respondi:

-Vocês eu não sei, mas eu vim comemorar o dia dos namorados.

-E você tá namorando?

-Não! Enlouqueceu Bia?

-Mas então... Vai comemorar o que se não está namorando?

-Isso!

-Isso o que?

-Não estar namorando (Bebi um gole de vodka e continuei...), não fazer parte da histeria coletiva e patética que é o 12 de junho, um dia como outro qualquer, mas que você é obrigada a encher os bolsos dos comerciantes enquanto a sua namorada esvazia o seu.

Pequenas conversas com Nina ( casamento)

Em mais uma de nossas reuniões um amigo aproveitou para pedir o namorado em casamento. Fez um daqueles discursos caretas e melodramáticos, o habitual. Disse-me que fui a única que não desejei felicidades, parecia sentido.

- O que tem contra o casamento Nina?

- Ora, eu nada tenho contra o casamento, tenho é contra casarem comigo. Do contrário...

- Você fala com deboche, com desdenho.



- Até parece que não me conhece, Ronaldo. Tem tanta coisa... A começar que o casamento é algo convencional o que nos torna totalmente incompatíveis e confesso ter uma opinião bem particular sobre ele. O casamento pra mim não passa de um teatrinho cotidiano entre duas pessoas, no casamento fingi-se tudo, até orgasmos. Acho o suficiente.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina


Estávamos certa vez num bar da Lapa, um daqueles ali na Mem de Sá. Depois de uns bons goles de vodka, já quando se da pra sentir aquele gosto amargo na boca, àquela secura, depois disso é que estão abertas as filosofias baratas de bar, antes disso, divagar sobre qualquer coisa é quase um ultraje, ainda mais sendo sobre amor. Alguém me provocou então:

- Nina, o que é o amor?
- O amor é uma merda.
- É serio Nina.
- Nunca falei tão sério na vida, amigo.
- Está é fugindo da pergunta.
- Então eu te devolvo a pergunta e se vou ou não responder depende de você.
- Simples, o amor é algo inexplicável, o amor ...

Antes que ele continuasse, virei meu copo de vodka e o bati com força na mesa o interrompendo. Ele não gostou e tratou logo de perguntar:

- O que está fazendo?
- Interrompendo esse momento patético, ou seja sendo sua amiga. Vou te contar uma coisa. Outro dia vi na tv, não sei se foi filme ou o que, mas me chamou atenção uma cena. Mais vodka por favor... (estendendo o copo e em seguida acendendo um cigarro. Da um trago e continua). Essa cena era de um rapaz se declarando para uma mulher, mas não era uma mulher qualquer, era uma mulher robô da qual ele desconhecia essa condição. Pôs bem, Ela olhava fixo nos olhos dele, procurando registrar dados enquanto ele maravilhado com a profundidade daquele olhar diz a ela que seu olhar lhe tocava a alma, o coração. Ela rebateu literal que ela não tinha coração, ele em devaneio romântico concluiu rapidamente que alguém com um olhar tão profundo só poderia ter o maior coração do mundo. Irônico não?
- Aonde quer chegar com isso?
- Elementar meu caro Watson! Isso mostra que o amor nada mais é do que uma projeção, são apenas conjecturas individuais. Todos buscam o amor, até alguém como eu, tão descrente. No fundo talvez eu queira acordar pela manha ao lado de alguma garota bacana depois de transar na noite anterior com ela....

Heitor me interrompeu:

- Talvez o dia que você ficar durante toda uma noite você acorde.

Risos na mesa. Dei mais uma ultima tragada em meu cigarro e o apaguei no cinzeiro, peguei o copo de vodka e continuei:

- Talvez, talvez. Mas concluindo e finalizando citando Clarice, o amor é... “Uma verdade inventada.”

Minha acompanhante enfim chegou, acenou pra mim, eu me levantei e Heitor perguntou:

- Onde é que você vai?
- Em busca das minhas projeções, meu caro.
- Só volta manha então?

Olhei bem pra menina me esperando, aquele batom vermelho dela, que mania! Lembrei o que ela havia me dito na noite anterior sobre o horror que Nelson Rodrigues lhe causava, logo Nelson, um de meus favoritos... Um dos mais sinceros, menos hipócritas. Então eu disse:

- Não... Me da umas duas horinhas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desamor.


Acordei nessa manhã tão cinza porque sonhei com ela. Geralmente não é assim, porque eu nem durmo as voltas com as lembranças que eu tenho. As vezes acho que tudo não passou de um delírio meu, as vezes hajo como se ela nem ao menos tivesse existido e minto pra mim e minto pra todos, mas a verdade é que estou nessa espécie de prisão, desesperada, desamparada tentando a todo custo sair, então eu penso: Como vai ser lá fora depois? Eu não vejo o sol a tanto tempo.




Estou farta dessa sombra, estou farta das minhas falsas promessas, eu não vou mais ligar, eu não vou mais pensar, eu não vou mais sentir. Eu finjo uma profundidade que só tive mesmo nos braços dela, é difícil admitir porque quando se ama um canalha a gente odeia si mesmo.




Então essa é uma história que não tem romance, que não tem ilusões, não tem casais, sou só eu e ela do jeito que somos. Eu com esse desamor e ela com aquela indiferença. Ela mente o tempo todo e eu finjo que acredito o tempo todo e o que fomos um dia ( será que fomos mesmo?) hoje já não faz diferença e aquele amor que sentimos ( será que sentimos mesmo?) já não importa mais, e aqueles momentos felizes ( será que eram mesmo felizes?) não passam de pequenas lembranças, não passam de só mais uma parte do passado dela enquanto ela sussurra mentirinhas ao pé do meu ouvido para me manter no presente e as vezes até no futuro, mas por que? Sou só mais uma garota, eu nem sou mais, eu fui.




Vivo então essa falsa sensação de liberdade, mato minha carência na diversidades de braços, ombros amigos, pernas e colos. Depois choro que nem criança na solidão do meu quarto, sentindo o vazio no lugar da alma que ela me tomou, que ela me roubou.




Difícil mesmo é entender por que o gosto dela não sai da minha boca, eu tenho sentido tantos outros... Ou tentado pelo menos. Ela me diz que estamos destinadas, mas não está aqui, ela diz que me ama, mas age de forma contrária, ela não deixa nem que eu me engane. O que me resta é mentir, pra ela, pra todos, pra mim e fugir, escapar experimentando gostos que eu não sinto sabor e continuar a viver intensamente esse meu desamor.









Nina Bria.