quinta-feira, 16 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Tipos)

Certa vez em mais uma bebedeira de bar conversávamos sobre “tipos” e me perguntaram:

- E você Nina? Que tipo de mulher você gosta?
- Ah não me venham com o tal do “tipo”, acho isso uma babaquice e tão limitado...
- Ora, vamos Nina! Todos temos nossos critérios, a Cláudia por exemplo diz que precisa ter compatibilidade intelectual.
- Ah é? E desde quando se precisa de Sócrates pra transar por exemplo? Ah por favor né Heitor. Ok, pode até ser que a “imoralidade” de Nelson Rodrigues me excite um pouco, mas a verdade é que num todo pra mim tendo buceta já é o ínicio do caminho certo para os meus “critérios”.
- Eu tô falando sério Nina!
- Eu também! ( Peguei a garrafa de vodka completei o meu copo que estava vazio e continuei quebrando o silêncio que deixei na mesa). Ok, vocês querem gêneros, não é? Vejamos que tipo de mulher me atrai, hum...Ah já sei! Eu gosto é das loucas, das desequilibradas, das psicóticas... As problemáticas são tão mais interessantes porque você nunca sabe, mas talvez com ela possa ser sua última transa.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( bichinhos de pelúcia)

Bebendo o pós dia dos namorados, o pessoal resolveu comentar o que haviam ganho de seus respectivos pares. Eu sei, parece chato né?! Também acho, na verdade é uó, mas a ironia e o alcoól me ensinaram que de alguma forma até mesmo conversas como essas podem ser divertidas.

- Mas e você Heitor o que ganhou? ( Eu perguntei).
- Um perfume.
- E deu o que? Cuidado com a resposta! (Debochei).
- Ah ... Também né?! E além disso uma calça.
- Hum, presentes úteis pelo menos, mas homens são bem mais práticos.
- Eu prefiro dar presente pra mulher.
- Se não for namorada né?!
- Por que?
- Ah porque mulher tem aquela coisa de ter que ser romântica e todo aquele blá blá blá. É Sério, pode ver que uma coisa que elas adoram é ganhar bichinho de pelúcia, porque é “fofo” ( cara de deboche). Nunca suportei esses bichos, eles não prestam pra nada, só pra ocupar espaço. ( parei, dei um gole na minha bebida e peguei um cigarro. Enquanto acendia continuei, debochada). Me lembrei aqui, ( dei um trago) quando eu tinha dezesseis anos tive um lance com uma menina que só me dava bichos de pelúcia, eu rezava pra não ter nenhuma suposta ocasião especial, porque eu sabia que seria mais um daqueles bichos bregas e cafonas que só ocupavam o espaço do meu quarto fazendo ele parecer um mini Zoo. Enfim, foi duro e um processo lento me livrar deles depois.
- E como se livrou deles?
- Bancando a lésbica fofolete pra transar, é óbvio!. Eu dava um bichinho e elas me davam... Bem você sabe o que elas davam. Enfim eu ganhava o que eu queria da garota e de quebra me livrava do mini Zoo cafona que ela transformou o meu quarto. Achei uma boa solução, prática e lucrativa.
- Credo Nina! Que sem coração você. Não sente pena não?
- Sabe que eu até sentia por uns instantes quando eu pensava: Coitadinhas, onde é que será que elas vão por isso agora?

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Ex )

Era uma quarta-feira noite, fui encontrar com a Bia no bar pra ver o jogo do Flamengo. Chegando lá logo acendi um cigarro, cumprimentei a Bia e o pessoal que veio com ela, as meninas do futebol. Sentei e pedi uma vodka sem gelo, Bia logo me olhou e questionou:

-  O que aconteceu?
-  Nada...
-  Nada não! Pediu vodka sem gelo.
-  Ok, minha ex me ligou.
-  E o que ela queria?
-  Reclamar que chamei ela de vaca um dia desses.
-  E você?
-  Ué disse o que tinha que dizer. Existem pessoas que retiram o que dizem, já eu reforço ... Vaca!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( Grande amor )

Bebendo outro dia na Voluntários em Botafogo, estávamos numa complexa conversa sobre o grande amor de uma vida. Uma discussão inútil, porém muito divertida.

Suzana me surpreendeu afirmando que acredita nessa besteira toda de amor além da vida e blá blá blá.

Eu, debochei é claro, ironizei afirmando que não imagino ela acreditando numa coisa dessas.

- E por que não? ( Suzana me perguntou ).

- Porque é patético e eu não sabia que você podia ser patética, logo você Suzaninha, que decepção!! ( Ainda debochando).

- Você diz isso, mas já foi até casada que eu sei. Isso sim é Patético!!

- Tanto é que não sou mais.

- Ah isso é gênero! Admita que ela foi o amor da sua vida Nina!

- Suzana, meu bem. Sou uma mulher inteligente, moderna e independente. Supondo que toda essa besteira de grande amor existisse, não acha que eu seria suficientemente capaz de escolher alguém que de preferência não seja imbecil?

Pequenas conversas com Nina ( Lésbicas )

Estava eu em uma social oferecida por uma grande amiga, mais um pretexto para reunir as lésbicas quando algo me chamou atenção. Escutei pequenos sussurros vindos da sacada onde estava próxima. Parecia-me uma pseudo discussão entre um casal de amigas minhas:

- Fala bebê, o que aconteceu? Você não estava assim antes.

- Assim como, amor?

- Você tava toda animada conversando lá dentro. Você bebeu com alguém antes de vir pra cá? Me diz bebê.

Eu não sabia se ria, chorava, ou vomitava. Primeiro de tudo, antes de qualquer comentário em relação a questão central que é o quão mulheres e ainda mais sendo lésbicas podem ser insuportavelmente reparadoras, quase cães farejadores, eu necessito de um aparte, um pequeno comentário sobre o termo “bebê” porque quem começou com essa coisa com certeza não conhecia os termos “broxante” e “cafona”, mas acontece. Quem nunca teve um “bebe” na vida que atire a primeira pedra. Anyway, o fato é que não pude me conter e me meti na conversa.

Peguei um cigarro e me coloquei ao lado delas a fumar:

- Desculpe gente, eu não pude deixar de ouvir a discussão... Aline, você não está falando sério, não é querida?

- É claro que estou Nina!

- E por que isso gente? Que diferença faz o nível alcoólico que Clarissa chegou aqui?

- Não é isso... Só quero saber o que houve, ela tá diferente de hoje mais cedo, tá tão animada, tão...

- Feliz?

- É também. Não que ela não seja, mas não estava hoje pela manhã, entende? O que haveria de ter acontecida pra uma mudança tão repentina e então pouco tempo? É só o que quero saber.

- Ai, desculpa me meter, mas é incrível como as mulheres conseguem ser insuportáveis neste quesito. Lembro-me quando ainda saia com homens, ainda acho que perdia meu tempo, mas uma coisa eu tenho que admitir como às vezes pode ser maravilhosa a falta de capacidade de observação masculina. Você acorda de bom humor e eles nem notam, de repente fica de mau humor e eles não conseguem nem perceber que você não os suporta mais. Eles só conseguem perceber algo quando você não transa com eles, mas veja bem, eu disse quando não transamos com eles, porque eles também têm dificuldade até mesmo de perceber que só ele quer transar. Enfim, é tão mais prático, tão menos sufocante. Já a mulher percebe tanto e tudo que ela até nota alguma coisa quando ela nem aconteceu. Ai! Às vezes é insuportável ser lésbica.

domingo, 12 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina ( caráter )

Certa vez em uma festa me perguntaram:

- Nina, você tem caráter?

Fiquei pensando... “ Mas o que é isso mesmo? Ah! sim caráter.”

- Ai! não sei.

E me indagaram:

- Como não sabe?

- Francamente, Cláudia. Eu nem me lembrava mais disso.

- Disso o que? Do caráter?

- Do próprio! Acho tão utópica essa história de caráter, tipo coelhinho da páscoa, Papai noel ... Bonitinho, mas pouco prático e muito fantasioso.

- Não concorda que é preciso ter caráter para se vencer na vida?

- Nossa, mas que clichê. Pra se vencer na vida, meu bem, precisamos da falta de. Ou então uma bela vagina, talvez um anus disposto. Não sei ao certo. Mas caráter ...Quem é que tem isso hoje em dia? Quem é que já teve? Conversa mais chata essa, caretice. E não me olhem assim! Vocês adoram aderir pequenas modinhas e agora esse tal de caráter tá na moda que eu sei. Bem conveniente, eu acho. Mas pra quem tem dinheiro pra que esse tal de caráter? Me digam onde tem pra vender que eu compro.

Pequenas conversas com Nina ( 12 de junho/ investimentos)

Ainda no Bar depois de algumas garrafas de vodka e whiskys Ainda falávamos sobre o dia dos namorados, mas especificamente das namoradas.

- Qual o pior tipo de namorada pra você Nina? ( A Suzana perguntou totalmente embriagada).

- Olha, há tantos... Sendo namorada boa coisa não já pode ser. Mas sendo mais especifica, tem as mercenárias. Durante um bom tempo eram o pior tipo pra mim, até que aprendi a lidar com elas quando parei de gastar meu dinheiro com mulheres e passei a gastar com mais bebida.

- Mas não se tratar de gastar dinheiro com mulheres Nina, é um investimento. ( Retrucou a Bia, ainda sóbria, até porque pra fazer um comentário desses... Anyway! Continuando...).

Virei meu copo de whisky e respondi:


- Investimento? Não! É burrice! Quer investir Bia? Investe numa garrafa de Black Label . Tem retorno!

Todos rimos, mas Suzana não havia se contentado com a minha resposta.

- Você enrolou, enrolou e não me respondeu. Se já sabe lidar com as mercenárias, que tipo de namorada é o pior tipo pra você?

-Bom, Não querendo generalizar, mas não sendo hipócrita e já generalizando... Digamos que eu vou dar a minha resposta em forma de conselho de modo que preste bem atenção, se vão seguir ou não é problema de vocês! É bem simples, não namorem as mulheres do sul do País e ponto!

- Ah isso é dor de cotovelo por causa da ex dela. (Suzana debochando).

- Ela era gaucha? ( Bia perguntou a mim).

- Sim, mas não tem só haver com ela. E a conversa não é sobre piores tipos de namoradas? Falar de ex é lei! A última é sempre a pior.

- E por que outros motivos além de ser ex as gauchas seriam os piores tipos de namoradas? ( Bia).

-Porque elas são completamente estranhas e podem até conter em apenas um exemplar todos os piores tipos de namoradas do mundo, ou seja se você quer uma vida normal fique longe delas ou foda a sua cabeça pro resto da vida virando uma pseudo acoólatra, irônica e sádica que não acredita no amor.

sábado, 11 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina (12 de junho)

Chamei todos para beberem comigo, disse que era dia de comemorar. Como sempre fomos aquele habitual bar na Lapa, nosso reduto, reduto dos caras de pau ou pelo menos naquele dia me pareceu.

-O que estamos comemorando Nina?

Acendi meu cigarro, dei um trago, repousei no encosto da cadeira, cruzando as pernas de maneira afetada e irônica, e respondi:

-Vocês eu não sei, mas eu vim comemorar o dia dos namorados.

-E você tá namorando?

-Não! Enlouqueceu Bia?

-Mas então... Vai comemorar o que se não está namorando?

-Isso!

-Isso o que?

-Não estar namorando (Bebi um gole de vodka e continuei...), não fazer parte da histeria coletiva e patética que é o 12 de junho, um dia como outro qualquer, mas que você é obrigada a encher os bolsos dos comerciantes enquanto a sua namorada esvazia o seu.

Pequenas conversas com Nina ( casamento)

Em mais uma de nossas reuniões um amigo aproveitou para pedir o namorado em casamento. Fez um daqueles discursos caretas e melodramáticos, o habitual. Disse-me que fui a única que não desejei felicidades, parecia sentido.

- O que tem contra o casamento Nina?

- Ora, eu nada tenho contra o casamento, tenho é contra casarem comigo. Do contrário...

- Você fala com deboche, com desdenho.



- Até parece que não me conhece, Ronaldo. Tem tanta coisa... A começar que o casamento é algo convencional o que nos torna totalmente incompatíveis e confesso ter uma opinião bem particular sobre ele. O casamento pra mim não passa de um teatrinho cotidiano entre duas pessoas, no casamento fingi-se tudo, até orgasmos. Acho o suficiente.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pequenas conversas com Nina


Estávamos certa vez num bar da Lapa, um daqueles ali na Mem de Sá. Depois de uns bons goles de vodka, já quando se da pra sentir aquele gosto amargo na boca, àquela secura, depois disso é que estão abertas as filosofias baratas de bar, antes disso, divagar sobre qualquer coisa é quase um ultraje, ainda mais sendo sobre amor. Alguém me provocou então:

- Nina, o que é o amor?
- O amor é uma merda.
- É serio Nina.
- Nunca falei tão sério na vida, amigo.
- Está é fugindo da pergunta.
- Então eu te devolvo a pergunta e se vou ou não responder depende de você.
- Simples, o amor é algo inexplicável, o amor ...

Antes que ele continuasse, virei meu copo de vodka e o bati com força na mesa o interrompendo. Ele não gostou e tratou logo de perguntar:

- O que está fazendo?
- Interrompendo esse momento patético, ou seja sendo sua amiga. Vou te contar uma coisa. Outro dia vi na tv, não sei se foi filme ou o que, mas me chamou atenção uma cena. Mais vodka por favor... (estendendo o copo e em seguida acendendo um cigarro. Da um trago e continua). Essa cena era de um rapaz se declarando para uma mulher, mas não era uma mulher qualquer, era uma mulher robô da qual ele desconhecia essa condição. Pôs bem, Ela olhava fixo nos olhos dele, procurando registrar dados enquanto ele maravilhado com a profundidade daquele olhar diz a ela que seu olhar lhe tocava a alma, o coração. Ela rebateu literal que ela não tinha coração, ele em devaneio romântico concluiu rapidamente que alguém com um olhar tão profundo só poderia ter o maior coração do mundo. Irônico não?
- Aonde quer chegar com isso?
- Elementar meu caro Watson! Isso mostra que o amor nada mais é do que uma projeção, são apenas conjecturas individuais. Todos buscam o amor, até alguém como eu, tão descrente. No fundo talvez eu queira acordar pela manha ao lado de alguma garota bacana depois de transar na noite anterior com ela....

Heitor me interrompeu:

- Talvez o dia que você ficar durante toda uma noite você acorde.

Risos na mesa. Dei mais uma ultima tragada em meu cigarro e o apaguei no cinzeiro, peguei o copo de vodka e continuei:

- Talvez, talvez. Mas concluindo e finalizando citando Clarice, o amor é... “Uma verdade inventada.”

Minha acompanhante enfim chegou, acenou pra mim, eu me levantei e Heitor perguntou:

- Onde é que você vai?
- Em busca das minhas projeções, meu caro.
- Só volta manha então?

Olhei bem pra menina me esperando, aquele batom vermelho dela, que mania! Lembrei o que ela havia me dito na noite anterior sobre o horror que Nelson Rodrigues lhe causava, logo Nelson, um de meus favoritos... Um dos mais sinceros, menos hipócritas. Então eu disse:

- Não... Me da umas duas horinhas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Desamor.


Acordei nessa manhã tão cinza porque sonhei com ela. Geralmente não é assim, porque eu nem durmo as voltas com as lembranças que eu tenho. As vezes acho que tudo não passou de um delírio meu, as vezes hajo como se ela nem ao menos tivesse existido e minto pra mim e minto pra todos, mas a verdade é que estou nessa espécie de prisão, desesperada, desamparada tentando a todo custo sair, então eu penso: Como vai ser lá fora depois? Eu não vejo o sol a tanto tempo.




Estou farta dessa sombra, estou farta das minhas falsas promessas, eu não vou mais ligar, eu não vou mais pensar, eu não vou mais sentir. Eu finjo uma profundidade que só tive mesmo nos braços dela, é difícil admitir porque quando se ama um canalha a gente odeia si mesmo.




Então essa é uma história que não tem romance, que não tem ilusões, não tem casais, sou só eu e ela do jeito que somos. Eu com esse desamor e ela com aquela indiferença. Ela mente o tempo todo e eu finjo que acredito o tempo todo e o que fomos um dia ( será que fomos mesmo?) hoje já não faz diferença e aquele amor que sentimos ( será que sentimos mesmo?) já não importa mais, e aqueles momentos felizes ( será que eram mesmo felizes?) não passam de pequenas lembranças, não passam de só mais uma parte do passado dela enquanto ela sussurra mentirinhas ao pé do meu ouvido para me manter no presente e as vezes até no futuro, mas por que? Sou só mais uma garota, eu nem sou mais, eu fui.




Vivo então essa falsa sensação de liberdade, mato minha carência na diversidades de braços, ombros amigos, pernas e colos. Depois choro que nem criança na solidão do meu quarto, sentindo o vazio no lugar da alma que ela me tomou, que ela me roubou.




Difícil mesmo é entender por que o gosto dela não sai da minha boca, eu tenho sentido tantos outros... Ou tentado pelo menos. Ela me diz que estamos destinadas, mas não está aqui, ela diz que me ama, mas age de forma contrária, ela não deixa nem que eu me engane. O que me resta é mentir, pra ela, pra todos, pra mim e fugir, escapar experimentando gostos que eu não sinto sabor e continuar a viver intensamente esse meu desamor.









Nina Bria.